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Linho Fino - Estudos Biblicos

A IGREJA E A AIDS

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A IGREJA E A AIDS: COMO FAZER DE CONTA QUE O PROBLEMA NÃO EXISTE

 



        “AIDS Mata Padres e Pastores”, proclama o título de longa matéria do jornal Alerta Geral, edições de 24 de setembro de a 28 de outubro de 1994, publicado na cidade mineira de João Pinheiro. Mas o fato não se restringe à pequena cidade do interior de Minas Gerais. Tem por base o depoimento de Eleny Vassão Cavalcante, capelã do Hospital das Clínicas e do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo, entrevistada pelo jornal.
        “Padres Estrupam [sic] Mais de 100 Mil Crianças”, completa o jornal de origem  paulista Notícias da Semana como chamada de capa (com erro de grafia e tudo) que ainda reproduz matéria seriada de O Estado de São Paulo trazendo o inquietante título de “A Aids Chega à Igreja”, ambos os fatos, sem dúvida, intimamente relacionados. . . São as relações sexuais a principal causa de transmissão do vírus HIV e, conseqüentemente, do chamado “mal do século”--a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, mais conhecida pela sigla inglesa AIDS.
        Segundo a capelã evangélica paulista Eleny Vassão Cavalcante, a Igreja Católica e as denominações evangélicas sabem da ocorrência de AIDS entre seus líderes, mas “abafam”.


        No princípio de 1993, o tradicional programa de reportagens especiais da TV americana “Sixty Minutes” [60 minutos] cobriu, com riqueza de detalhes, numa de suas edições dominicais, os escândalos de sedução de jovens por parte de padres de uma diocese do sul dos  Estados Unidos. Descobriu-se que também o superior de tais padres, por sinal o primeiro bispo hispano do país, tinha seus escândalos sexuais particulares. Antes disso, o primeiro bispo negro dos Estados Unidos era, igualmente, alvo de reportagens comprometedoras, confessando, sob a pressão de insistentes denúncias, um deslize moral de igual natureza.
       Informa a publicação Notícias da Semana (nº 34, pág. 12) que, num documento lido na arquidiocese de Nova Iorque, o bispo norte-americano Andrew Greeley estimou que a Igreja Católica em seu país gasta 50 milhões de dólares todos os anos em terapia para padres e indenizações às vítimas. Os padres pederastas, segundo ele, dariam um contingente de uns dois a quatro mil, e as crianças sexualmente abusadas chegariam a cem mil ou mais.

        A série de TV “Pássaros Feridos”, veiculada em princípios da década de 80, trouxe à baila o problema do celibato sacerdotal. A série retratava um sacerdote que se desviara dos ideais de castidade, impostos pela Igreja, e que gerara um filho ilegítimo com uma jovem de família amiga. Ao final da série na TV americana, cujo papel principal coube a Richard Chamberlain (o “Dr. Kildare” de série anterior), um grupo de sacerdotes, ex-sacerdotes e outras pessoas diretamente ligadas ao problema discutiu a conveniência do celibato sacerdotal para padres e freiras. A conclusão expressa nesse painel por um ex-padre, das razões de a Igreja Católica apegar-se rigidamente a tal princípio, foi clara e direta: “O motivo de a Igreja não admitir o casamento de seus sacerdotes é somente um: economia. Sai muito mais barato manter um padre solteiro, sem família”.
        Mas para que os evangélicos não fiquem “de camarote” vendo o circo católico pegar fogo, convém recordar os nada inspiradores episódios envolvendo pregadores da TV e outras personalidades evangélicas em passado recente: homens da mais alta estima do público (e devidamente casados), como os Jimmy’s Baker e Swaggert, e outros de menor projeção, e, mais recentemente, o destacado pastor Jesse Jackons, militante de direitos civis em favor dos negros, que lutou ao lado de Martin Luther King Jr. na década de 70, tendo até sido pré-candidato à presidência dos Estados Unidos posteriormente. Todos estes tiveram seus nomes também nas páginas de jornais, revistas, e estações de rádio e TV, em deploráveis maus exemplos de conduta moral (inclusive Luther King!). Confirmam, pelo menos, a indiscutível asserção bíblica de que “a carne é fraca”, o que serve ecumenicamente para os religiosos protestantes e católicos.

Depoimento e recomendações da capelã

       Eleny Vassão de Paula Cavalcante tem grande vivência no campo do acompanhamento a aidéticos, como experiente capelã de um hospital que é “o maior centro de referência para AIDS no Brasil, com mais de 100 leitos só para aidéticos”. Ela é também membro do conselho de AIDS do Estado de São Paulo. Com tal currículo que lhe garante indiscutível autoridade para falar do assunto, revela, entre outras coisas de “arrepiar os cabelos”: “Crianças de quatro a cinco anos de idade estão morrendo de AIDS, vítimas de adultos que vão às ruas após as 22 horas para fazer sexo oral com as criancinhas; seminários, tanto católicos quanto evangélicos, têm alunos homossexuais; na Casa da Cúria em São Paulo há vários padres aidéticos; ela vem aconselhando muitos pastores e líderes homossexuais e aidéticos em estado terminal; as igrejas (tanto a Católica quanto as evangélicas) têm dado as costas para aqueles que estão morrendo de AIDS.
       Levantando o problema de seminários teológicos com crescentes contingentes de jovens homossexuais, Eleny revela que a liderança religiosa não encara esse fato porque não quer. “Não sabe como resolver o problema”. Ela, então, sugere que deveria haver “orientação de psicólogos cristãos. Um psicólogo identifica um homossexual pelo olhar, pelo jeito de cruzar as pernas”, declara. “Mas isso não pode ser uma coisa obrigatória, porque eles estão sofrendo. Muitos estão buscando socorro”. Ela esclarece que tais indivíduos são vítimas “da má formação familiar” e sentem-se culpados “porque assumiram uma postura, sabendo que era pecado”.

       A seguir, Eleny expõe o dilema íntimo desses religiosos de orientação sexual contrária a sua natureza: “Padres e pastores têm medo de abrir o jogo, porque não têm com quem falar. Com colega de ministério ou de sacerdócio? Barbaridade! Com um membro da igreja? Pior ainda. Pastor tem alergia a consultório de psicologia, porque isso demonstraria que ele não tem fé. Em geral, eles não têm como buscar socorro. É preciso que haja um grupo que dê apoio e amor a essas pessoas, para sabermos que este não é um pecado maior do que os outros”.

Atitude pastoral: falta de fé ou incompetência?

       Eleny narra um angustiante episódio que ilustra muitos dos dramas e malentendidos que se dão no seio das igrejas em face do trauma da AIDS: “Uma moça de tradicional família evangélica casou-se com um jovem recém-convertido, que havia usado drogas antes de se converter. Estava com AIDS, mas não disse à família. Contaminou a esposa e a criança. Esta última sofria doenças contínuas até que descobriram ser aidética. A esposa, desesperada, contou para a sua família que, muito unida, foi ao pastor da igreja. Este tentou acalmá-la: ‘Irmã, não fique apavorada porque nós vamos orar e jejuar e todos vocês serão curados’. Isso foi feito, mas não houve cura. A família, angustiada, voltou ao pastor: ‘E agora, pastor, o que vamos fazer?’ Ao que este respondeu: ‘Se Deus não curou vocês é porque esse pecado não tem perdão. Portanto, todos devem sair da igreja: vocês, seus pais, seus avós e seus tios, todos’“. E conclui: “Na morte dessa moça de 28 anos que eu acompanhei durante uns três ou quatro meses, ela me disse: ‘Olha, Eleny, a dor que eu tenho não é tanto a dor da AIDS ou a dor de ver o meu filhinho morrendo, com dois anos, mas é a dor de ter sido rejeitada pelos que se dizem cristãos. Onde eu precisava encontrar amor, apoio, carinho, consolo, encontrei um tapa na cara e fui expulsa de lá’. Esse caso mexeu muito comigo”, aduz a capelã e conselheira.

Homossexualismo pastoral é “bomba atômica”!

       “Nós temos muitos casos [de líderes homossexuais] dentro da igreja evangélica, muitos casos dentro dos seminários e muitos pastores que são homossexuais, ou têm tendências homossexuais”, afirma a capelã cristã. “Eu tenho aconselhado muitos pastores”, conta ela.
       Considerando tal informação uma verdadeira “bomba atômica”, Eleny busca ser, ao mesmo tempo, realista e prática: “Creio que a gente tem que detonar os evangélicos, para acordá-los. O problema não está só lá fora. Os pastores também precisam de psicólogos cristãos, precisam de ajuda. Muitos que entram na prática da homossexualidade são casados, mas sentem uma tendência forte demais e o perigo é muito grande. Meu conselho é que eles não fiquem sozinhos com rapazes que os atraem, que estejam na companhia da esposa ou outra pessoa”. E oferece um dado chocante: “O Dr. Ageu Lisboa, psicólogo clínico em São Paulo, cristão, disse que 80% dos seus clientes são homossexuais evangélicos”. Eleny conta ainda algo mais de sua experiência profissional: “Eu lido diariamente com AIDS e homossexualismo no hospital. Já acompanhei cinco pastores aidéticos até a morte, envolvidos com homossexualidade; um deles, pastor da Assembléia de Deus, disse: ‘Graças a Deus que estou com AIDS, porque assim acaba minha luta com essas tendências homossexuais, sendo, ao mesmo tempo, pastor, num conflito tremendo. A AIDS vai me tirar a vida e o meu problema’”.

Medidas preventivas possíveis

        Eleny faz sugestões para, ao menos, minimizar o problema: “primeiro, realizar um curso para noivos ensinando o que é o casamento e desmanchando alguns ainda no noivado. Segundo, tratar a família, fazendo seminários sobre família, discutindo assuntos mais abrangentes”. Deve-se tratar no noivado, acrescenta, de “relacionamento sexual de maneira bem ampla, bem aberta; problemas de homossexualidade respondidas, tanto do homem quanto da mulher”. Lamenta ela: “Infelizmente, muita gente descobre essas tendências só depois de casado, e aí já é tarde. Como não se completam sexualmente, se envolvem com outra pessoa e mantêm uma relação a três. Uma série de valores deve ser questionada no noivado, com liberdade”.
       Insistindo em que “a igreja camufla o problema” ao declarar que “não existe esse problema no evangelho”, Eleny é franca ao falar de atitudes de pastores em relação à delicada questão, negando a sua ocorrência ou atribuindo tudo ao ‘capeta’ e ao pecado do vitimado pela doença: “Esses pastores precisam se humilhar diante de Deus e reconhecer que AIDS é uma doença. Eu recebo muitos pastores lá no hospital para expulsarem o demônio da AIDS nos pacientes. Eles morrem de AIDS do mesmo jeito, mas os pastores se sentem muito inconformados porque fizeram a parte deles expulsando ou ‘amarrando o demônio’. Não é por aí! A AIDS veio mexer com a sociedade, com o meio cristão, mostrar nossa falta de amor, a nossa omissão. Não adianta tachar de pecado, expulsar demônios. A AIDS não é pecado, é conseqüência do pecado; mas nem sempre é conseqüência do pecado, porque eu tenho atendido muita gente que contraiu AIDS através da transfusão de sangue, o caso dos hemofílicos”.

O problema no catolicismo

        Segundo o Notícias da Semana, editado em São Paulo (edição nº 34, de dezembro de 1993), periódico um tanto alarmista, redigido num estilo pouco jornalístico, até meio brega, mas nem por isso mal informado, um documento revela que “21 meninos foram estuprados pelos padres no seminário St. Lawrence, em Mont Calvary, Wisconsin, EUA, entre 1968 e 1992. E isso está muito longe de ser tudo. “Uma granada pode explodir a qualquer hora, e mais outra, e mais outra”, advertiu o cardeal O’Connor, numa reunião com 1.200 padres.
        Prossegue o texto da polêmica publicação: “Em artigo no Journal de Milwaukee, J. Peter Isley, 32, uma das vítimas dos padres, opinou que a maneira de a Igreja conduzir o caso demonstra muito pouca sensibilidade com o sofrimento das crianças estupradas. “Quando o padre roubou meu corpo, ele roubou minha infância”, queixa-se Isley.
       A seguir, mostra como o Vaticano culpa a sociedade pelos desvios morais de sacerdotes: “Joaquim Navarro-Valls, porta-voz da Santa Sé, afirmou em Roma que a sociedade deve assumir parte da culpa pelos abusos sexuais cometidos pelos padres. ‘Está na hora de perguntar se o verdadeiro culpado não é uma sociedade, cuja permissividade beira à irresponsabilidade, sendo capaz de criar circunstâncias que induzem pessoas de sólida formação moral a cometer crimes graves”, diz ele num release.

       “O papa João Paulo II escreveu na semana passada aos bispos dos Estados Unidos expressando dor e preocupação com o volume de casos de má conduta sexual, e anunciou uma comissão de peritos para examinar o problema”.

        E conclui seu comentário informativo: “No ano passado um sacerdote aidético na Inglaterra acusou a moral vaticana de induzir os padres ao homossexualismo: ‘Como é sempre suspeita a proximidade de um padre com uma mulher, muitos preferem—ou são coagidos a—manter relacionamentos masculinos’, disse ele. Isso levou Janer Cristaldo, da Folha de São Paulo a escrever: ‘A grande ré não é a sociedade, mas uma Igreja que nega algo inerente ao ser humano’”. (Op. Cit., pág. 12).
        Da mencionada edição de Notícias da Semana podem-se reproduzir as cláusulas em destaque e intertítulos da matéria de página inteira de O Estado de São Paulo, “A AIDS Chega à igreja” (autor: Roldão Arruda—data não indicada no NS), para ter-se pequena mostra da grande dimensão e complexidade do problema: “Imposição do celibato faz com que o assunto seja tratado como um tabu”; “Versão é de que vírus foi adquirido em transfusão”; “Morte de religioso é atribuída a meningite”; “Fiéis acham desrespeitoso tocar no assunto”; “Arcebispo de São Paulo prefere não se manifestar sobre a questão”. E a chamada “Leia na edição de amanhã”, promete: “Entrevista com o bispo d. Angélico Sândalo sobre Aids e padres doentes, e o depoimento de um ex-seminarista que convive com o vírus”.
        É chocante saber que aqueles que estão à frente do rebanho do Senhor, tendo a missão de ajudar as pessoas a se prepararem para a eternidade e a trilharem a senda da santificação, se envolvam tão freqüentemente com pecados sexuais que, entre outras conseqüências, lhes acarretam esse tremendo flagelo da AIDS. Mas a Bíblia já dizia com respeito aos profetas de outrora que eles eram sujeitos às mesmas paixões que nós. Resta-nos, pois, antes que meramente criticá-los e condená-los, refletir sobre estas outras palavras bíblicas do apóstolo Paulo: “Quem está de pé, cuide que não caia”.

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Obs.: O texto da entrevista com Eleny Vassão Cavalcante tem por base a entrevista concedida a Samuel Ferreira, de Alerta Geral, de João Pinheiro, Minas Gerais.
Editor do Artigo: Prof. Azenilto G. Brito, ligeiramente modificado do artigo publicado em Correio Cristão.

Adendo

Notícia condensada da edição em língua italiana do CNN (site www.cnn.com):

Freiras Acusam Sacerdotes e Missionários Católicos de Abusos Sexuais

        Cidade do Vaticano (CNN) [21/3/01]—O porta-voz da Santa Sé, Joaquin Navarro-Valls, confirmou a existência de “casos de abuso sexual da parte de sacerdotes ou missionários”, denunciados recentemente, como também no passado, por vítimas de tais situações.
        Um relatório entregue ao Vaticano em 1995 falava de abuso sexual de parte de sacerdotes em relacionamentos com freiras. Navarro afirmou que a Santa Sé está se ocupando com o caso, mas minimizou a situação confirmando que os casos estão “restritos a uma área geográfica limitada”.
        Alguns dias antes o semanário americano National Catholic Reporter, citando de duas freiras americanas, havia revelado a existência de um relatório entregue em 1995 ao Vaticano, no qual se relata casos de religiosas que sofreram abusos sexuais, às vezes violentos, de sacerdotes e missionários em que—em alguns casos—eram até forçadas a abortar.
        “O problema—declarou Navarro-Valls—é de nosso conhecimento e o Vaticano já está se ocupando disso em colaboração com os bispos, e com a União Superior Geral (USG), e a União Superior Geral Internacional (USGI) [entidades da mais alta hierarquia católica]. Busca-se agir por dois caminhos: a formação das pessoas e, naturalmente, a solução de cada caso. Alguns fatos como estes não devem fazer-nos esquecer da fidelidade muitas vezes heróica da grande maioria dos religiosos e sacerdotes”.
        A autora do relatório—publicado no periódico americano—é a religiosa Maria O’Donohue, médica e missionária por muitos anos. A religiosa, que passou longo período em missões como médica, lembra, entre outros, “o caso de um sacerdote que forçou uma freira a abortar, vindo com isso a morrer, e que celebrou oficialmente a missa [na cerimônia fúnebre]”.
        No mesmo documento, conclui-se que as freiras são o centro de grandes atenções de parte dos “sacerdotes e figuras destacadas da hierarquia eclesiástica que abusam de sua autoridade”. Muitas vezes as atenções dos clérigos se dirigem às freiras, sobretudo na África, para evitar o perigo de contrair a Aids de prostitutas. Finalmente, do relatório parece emergir a conclusão de que essas ocorrências quase exclusivamente se restringem à África—conquanto não haja confirmação oficial nesse sentido—mas a religiosa O’Donohue cita situações semelhantes em outras parte dos mundo”.
                                                           (Traduzido e adaptado por Azenilto G. Brito).

AIDS e Abuso de Crianças Por Sacerdotes Alarmam Liderança Católica

Por JUDY L. THOMAS - The Kansas City Star

        Centenas de sacerdotes católicos estão morrendo por todos os Estados Unidos de doenças relacionadas com a AIDS e centenas de outros são portadores do vírus HIV, segundo longa matéria de Judy L. Thomas no jornal The Kansas City Star. A informação foi transcrita num website especial de uma instituição chamada SNAP, sigla de "Survivors Network of Those Abused by Priests" [Rede de Sobreviventes Daqueles que Foram Abusados Por Sacerdotes] que traz uma série de depoimentos chocantes de crianças e jovens assim afetados, bem como testemunhos da revolta de pais e familiares a respeito da crítica situação e do crescente problema.
        Diz a matéria do jornal de Kansas ser difícil determinar o número de mortes por AIDS entre esses religiosos mas, ao que parece, a média dessas morte equivale a quatro vezes mais do que a média nacional de vitimados fatais pela AIDS. Esses dados foram computados por pesquisas do próprio jornal e de especialistas médicos e sacerdotes católicos. “Somente em Missouri e Kansas, pelo menos 16 sacerdotes e dois irmãos de ordem religiosa morreram de AIDS desde o início de 1987”, diz a reportagem, prosseguindo com a informação de que tais mortes “causam tanta preocupação à Igreja que a maioria das dioceses e ordens religiosas requerem agora teste de HIV negativo para aceitar candidatos ao sacerdócio, antes de sua ordenação”.
        Segundo pesquisa feita com leigos e religiosos católicos, esse assunto é considerado chocante porque muitas das vítimas de AIDS entre os sacerdotes contraíram a doença por práticas homossexuais, que são condenadas pela doutrina da Igreja. Contudo, muitos sacerdotes elogiaram a Igreja por revelar compaixão para com os vitimados. “Com freqüência a Igreja cobre as despesas médicas e arranja um lugar para que vivam e deles cuida até a morte”. Outros sacerdotes, porém, se queixam de que a Igreja falha em não oferecer educação sexual apropriada que impeça que ocorra tal infecção, em primeiro lugar, prossegue o jornal.
        “A sexualidade ainda precisa ser discutida e abordada”, declarou o Rev. Dennis Rausch, um sacerdote com AIDS que dirige um programa de ministério em favor de aidéticos na Arquidiocese de Miami. “Tenho tentado entrar no seminário aqui pelos últimos anos para conduzir um curso de conscientização para os rapazes, de modo que quando saírem, pelo menos tenham conhecimento”, diz ele.
        Muitos sacerdotes e especialistas em comportamento alegam que a adesão da igreja a uma doutrina sobre virtudes do celibato, originárias no século 12, e seus ensinos a respeito do homossexualismo contribuíram para a difusão da AIDS dentro do clero”. Essa negligência afetou os jovens de até 14 anos de idade que entram no seminário nos anos 60 e 70 sem devida educação quanto à realidade do mundo sexual e suas tentações.
“Ademais, ao tratar os atos homossexuais como uma abominação e a quebra do celibato como algo vergonhoso, a Igreja assustou os sacerdotes levando-os ao silêncio”, alguns dizem. “Creio que isso denuncia a falha de parte da Igreja”, declara o Bispo Auxiliar Thomas Gumbleton, da Arquidiocese de Detroit. “Os sacerdotes gays e heterosexuais não sabiam como lidar com a sua sexualidade, seu impulso sexual. Deste modo, trataram da questão em maneiras que não eram saudáveis. Como ser celibatário e gay ao mesmo tempo, e como ser celibatário e heterossexual ao mesmo tempo é algo sobre que nunca foram realmente ensinados. E esse foi um erro de grandes proporções”.
        Numa entrevista sobre o assunto, o Bispo Raymond J. Boland da Diocese de Kansas City-St. Joseph disse que as mortes por AIDS de sacerdotes revelam que estes também são seres humanos. “Conquanto muito lamentemos isso, demonstra que a natureza humana é a natureza humana”, afirmou Boland. Ele acredita que atualmente a liderança da Igreja está realizando um melhor trabalho preventivo. “Em todos os seminários há pessoas que são conselheiros treinados”.
        A Igreja Católica não está só neste problema. Clérigos de outras denominações também lutam com questões de sexualidade e há relatos de mortes por AIDS nesse meio. Robert Goss, um ex-sacerdote jesuíta que é atualmente Chefe do Departamento de Estudos Religiosos da Webster University em St. Louis, declara que há gays no sacerdócio e nem todos são celibatários. “Ambas estas questões são temas explosivos que os superiores e bispos não abordam em público”. O próprio Goss deixou o sacerdócio após 11 anos quando se apaixonou por um seminarista que estava prestes a ser ordenado. Os dois tornaram-se parceiros por longo tempo, até que o ex-seminarista morreu de AIDS em 1992.
        Prossegue ainda o Day Star: “A igreja não tem abandonado seus sacerdotes portadores de HIV ou AIDS, e muitas vezes reconhece publicamente suas realizações. Há sacerdotes que são gays, há sacerdotes com AIDS, há sacerdotes que são diferentes e que realizam um ministério maravilhoso”, declarou o Rev. Jim Nickel, diretor de cuidado pastoral para os Ministérios Damien, em Washington, D.C.
        Em muitos certificados de óbito, informa o jornal, a causa mortis não é apresentada de modo realista e assim o número exato dos que morrem como vítimas da AIDS é realmente acobertado. No início dos anos 90, especialistas que aconselhavam e tratavam sacerdotes aidéticos estimavam que cerca de 200 nos Estados Unidos haviam morrido de AIDS ou tinham contraído a doença. Agora, os que trabalham com sacerdotes infectados dizem que estes dados são por demais conservadores, ou seja, o número é muito maior. “Estamos falando de várias centenas”, comentou o Rev. Jon Fuller, sacerdote jesuíta e médico que serve como diretor-assistente do Centro Médico de Boston, em seu programa de Atendimento a aidéticos.
        Por pesquisas empreendidas pelo próprio jornal, examinando registros de falecimento de sacerdotes na Califórnia, Missouri e Massachussetts em 1995, descobriu-se uma média de 7,3 sacerdotes para 10.000 habitantes, enquanto na população em geral nesses três estados é de 1,8 para 10.000. Na Inglaterra, 21 sacerdotes católicos foram presos por abuso de crianças entre 1995 e 1999, e dois arcebispos estiveram envolvidos em controvérsias quanto ao modo de lidar com problemas de sacerdotes pedófilos, informa a CNN. E prossegue relatando que a liderança católica local agora exige “certidão criminal negativa” de candidatos a trabalhar na Igreja, incluindo sacerdotes.
        A.W. Richard Sipe, ex-sacerdote americano que passou mais de 30 anos estudando questões ligadas a sexualidade na Igreja pensa que cerca de 750 sacerdotes por todo o país (EUA) morreram de doenças produzidas pela AIDS. Isso se traduziria num nível de oito vezes o da população em geral. Já Joseph Barone, psiquiatra de Nova Jersey, também especialista em AIDS, coloca esse número em 1.000, quase 11 vezes o índice da população em geral.
        Barone conduziu testes de 1983 a 1993 em Roma, Itália e submeteu seminaristas ali a testes de HIV. Após sete anos de estudos e de testes com dezenas de seminaristas Barone concluiu que 1 em 12 eram soropositivos. Quando deixou Roma, ele havia tratado 80 sacerdotes com AIDS. A maioria era homossexual ativo. “A tragédia”, diz Barone, “é que não percebem o que estão fazendo não só para si próprios, mas para outros, devido ao índice exponencial de transmissão”.
        Outro pesquisador que estudou extensamente a questão da AIDS na Igreja é o Rev. Thomas Crangle, sacerdote franciscano da ordem dos Capuchinos em Passaic, N.J. Em 1990 Crangle conduziu uma pesquisa por correio com centenas de sacerdotes escolhidos ao acaso. Ele disse que de 500 pesquisas que enviou, 398 foram devolvidas respondidas, e 45 por cento dos que responderam confessaram voluntariamente serem gays, e 92—quase um quarto—declararam-se portadores do vírus da AIDS. “Fiquei surpreso”, disse Crangle. "Sabia que havia problemas, mas não dessa magnitude”.
        Charlie Isola, um assistente social e psicoterapeuta de Nova York disse que todos os sacerdotes com AIDS que ele tratou são homens gays em seus 40 a 60 e poucos anos.  “Alguns deles tiveram contato sexual no seminário e prosseguiram após a ordenação, e alguns dos homens tiveram seu primeiro contato sexual com outros sacerdotes ou leigos após terem sido ordenados”, contou Isola. Mais adiante na reportagem, ele comenta: “Em minha experiência, a grande maioria dos sacerdotes que fazem o voto [sacerdotal] não está suficientemente desenvolvida psico-sexualmente. Durante o seminário, perguntas sobre homossexualismo ou sentimentos sexuais são geralmente tratados por instrutores que lhes dizem: ‘Você reza missa todo dia e cumpre o rosário, o resto tomará conta de si mesmo’. Só que para muitos isso simplesmente não funciona”.
        Vários sacerdotes, respondendo confidencialmente à pesquisa do jornal, ofereceram comentários como os seguintes: “Penso que o problema real não é o HIV/AIDS, mas a desonestidade básica da Igreja com respeito a toda a sexualidade”, escreveu um sacerdote gay. “Os sacerdotes e outros têm que disfarçar e ocultar sua sexualidade de todas as maneiras possíveis e, logicamente, isso conduz a expressão sexual que não é saudável”.
Alguns se queixam de que a Igreja foi advertida há 30 anos de que tal problema se poderia desenvolver, mas deixou de tomar medidas adequadas para prevenir isso. Em 1983 a Comissão Sobre Sacerdócio e Ministério da Conferência Nacional dos Bispos Católicos dos Estados Unidos emitiu um livreto de 59 páginas chamado “Sexualidade Humana e o Sacerdócio Ordenado”. O seu propósito era propiciar “uma base estruturada e objetiva para sacerdotes e bispos refletirem pessoalmente e falarem a respeito de algumas importantes realidades—realidades que doutro modo não poderiam ser examinadas ou tratadas de forma a ser de auxílio”. Entre os tópicos abordados havia o celibato, solidão e relacionamentos. Três páginas tratavam especificamente do homossexualismo.
        Um dos sacerdotes que responderam à pesquisa do The Kansas City Star manifestou-se a respeito de dita publicação como sendo “um dos documentos mais negligenciados nos anos recentes”.

(Traduzido e condensado por Azenilto G. Brito).



Materiais relacionados ou de especial interesse:
 

[23] - LEVANDO O EVANGELHO PARA OS CANIBAIS – (Entrevista com Don Richardson, autor de O Totem da Paz [publicada na revista Missões]) – 4 páginas.

        Don Richardson, missionário entre os sawis, uma tribo da Nova Guiné que praticava o canibalismo e vivia na idade da pedra, fala do desafio que enfrentou em tentar comunicar o Evangelho de Jesus Cristo àqueles homens primitivos e de como contornou as diferenças culturais que causavam barreira à adoção da filosofia cristã (como a poligamia) ao trabalhar e viver entre aqueles moradores da remota região. O livro em que narra sua experiência excepcional mereceu ser publicado em forma sintética na seção de livros da revista de grande circulação mundial Readers’ Digest (conhecida no Brasil como Seleções). Entrevista concedida a Azenilto G. Brito.

[01] - DE CONTROVÉRSIA A CRISE – UMA AVALIAÇÃO ATUALIZADA DO ADVENTISMO DO SÉTIMO DIA – de Christian Research Journal, Verão de 1988, (por Kenneth Samples) – 11 páginas.

        Este artigo, demonstra como pesquisadores não-adventistas (não necessariamente hostis à IASD), avaliam problemas e controvérsias que têm afetado o adventismo ao longo da história denominacional, e como entendem as implicações presentes e futuras de tais fatos, especialmente as questões polêmicas que mais recentemente polarizaram estudiosos destes temas em nos arraiais adventistas.  Ao final do artigo é reproduzida carta de um dirigente adventista da Associação Geral elogiando a precisão da dissertação.

[19] - DENOMINACIONALISMO E O EVANGELHO – (por Geoffrey Paxton) – 2 páginas.

       O autor analisa o fenômeno do denominacionalismo—as inúmeras e variadas estruturas eclesiásticas formando corporações estanques, com pouca ou nenhuma comunicação umas com as outras—e como encarar tal situação à luz do evangelho. Artigo publicado em Correio Cristão.

[20] - A SALVAÇÃO SE PROCESSA NO CÉU OU NA TERRA? – ([artigo publicado em Correio Cristão] por Azenilto G. Brito) – 4 páginas.

        Exposição didática sobre o importante tema da justificação pela fé que, nesta época caracterizada pela superficialidade e subjetivismo teológico, deveria empolgar os cristãos modernos como empolgou o mundo cristão ao tempo dos pais da Reforma Protestante. Trata-se de uma seqüência ao artigo, “Para Entender Justificação Pela Fé”, de autoria do autor transcrito em seu livro O Desafio da Torre de Vigia.



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